De onde vem nossa força (e o que seremos sem aquilo que nos conecta)?

fenajufe De onde vem nossa forca - De onde vem nossa força (e o que seremos sem aquilo que nos conecta)?

De onde vem nossa força (e o que seremos sem aquilo que nos conecta)?

Em toda a história da humanidade, grandes batalhas foram vencidas por quem conseguiu combinar com eficiência dois elementos: estratégia e união.
Segundo o Dicionário Michaelis, estratégia é a “arte de utilizar planejadamente os recursos de que se dispõe ou de explorar de maneira vantajosa a situação ou as condições favoráveis de que porventura se desfrute, de modo a atingir determinados objetivos”.
No caso do movimento sindical, as duas definições são plenamente aplicáveis.
Já a união é um elemento igualmente importante, porque é dela que se extrai a força necessária para construir as lutas. União é soma, ligação, compromisso. É a formação de uma unidade política entre dois ou mais elementos distintos (pessoas, organizações, instituições) com um objetivo comum.
E quando se fala em luta por direitos, a união é um fator ainda mais relevante porque do outro lado geralmente está algo (instituição, Poder, governo etc) ou alguém (chefe, mandatário, governante) que tem, em tese, mais poder individual.
Assim é a vida no serviço público. Cada dia uma nova batalha.
Enfrentar interesses de grupos de poder, fake news variadas, difamação da velha mídia, ataques violentos de grupos extremistas ou mesmo a desvalorização de quem é atendido por políticas públicas são situações que fazem parte do dia a dia dos servidores do Brasil.
Para quem atua no Poder Judiciário, tudo isso ainda vem acompanhado da falta de compreensão sobre o abismo que separa as carreiras de quem, muitas vezes, trabalha no mesmo espaço, mas não desfruta das mesmas condições.

 

Onde estamos…

No nosso horizonte, do ponto mais próximo ao mais longínquo, temos e teremos inúmeras batalhas. Lutar pela valorização é uma delas, especialmente em um cenário onde somos empurrados para um abismo por aqueles que deveriam, em primeiro lugar, nos tratar com respeito e garantir condições dignas de trabalho, carreira e salário.
Teremos batalhas homéricas contra projetos que apresentam nomes pomposos (Reforma Administrativa, Plano Mais Brasil, PEC Emergencial entre tantos), mas que não são nada mais do que formas de reduzir o papel de um Estado que tem o dever de garantir condições dignas de vida para a população.
Entre esse projeto para o país e a preservação dos serviços públicos, estamos nós, servidoras e servidores, como barreira de contenção. Por isso, fomos chamados de parasitas, sanguessugas e marajás por quem disse que colocou uma granada no nosso bolso ao congelar nossos salários.
Não por acaso eles usam esses termos belicosos. Estimulam o conflito e o permanente clima de guerra. E não só porque valorizam mais as armas do que as vacinas ou do que a vida das pessoas, mas porque tratam o serviço público como inimigo.
Sabem que do lado de cá tem resistência de quem escolhe a missão de proporcionar o bem-estar da população (no nosso caso, o acesso à Justiça).

 

Para onde vamos…

Quando se trata da organização dos trabalhadores, a hostilidade dos emissários de grupos de poder aumenta ainda mais. Por representar interesses que se contrapõem às necessidades da maioria da população, eles demonstram certa obsessão em acabar com o sindicalismo no Brasil.
É por isso, inclusive, que resgatam o debate sobre o fim da unicidade sindical, um princípio previsto na Constituição Federal de 1988 que proíbe a existência de mais de um sindicato de uma categoria em uma mesma base territorial.
Fora de contexto, seu uso é ainda mais incoerente vindo de quem usou justamente o argumento contrário (excesso de sindicatos) para apoiar uma Reforma Trabalhista que feriu dezenas de direitos dos trabalhadores, e mirou também na sustentabilidade financeira das entidades sindicais (sem entrar no mérito de sua pertinência ou não).
No fundo, o desejo deles é apenas ver representações sindicais enfraquecidas. “Dividir para conquistar”, como já diziam os romanos.
É a mesma tática de guerra que usaram para rachar o país. Para fazer com que muitas, mas muitas pessoas acreditem que fazem parte de um tipo tacanho de “guerra santa”, que só se sustenta por ser estimulado por um gigantesco universo composto basicamente por inesgotáveis fake news e teorias conspiratórios que mantêm as pessoas em bolsões (ou bolhas) de ódio regado ao fornecimento de paranoias, medos, angústias e bastante hipocrisia.
É um sistema pérfido, cruel e desumano (ou desumanizado) que funciona porque é constante, permanente, volumoso e altamente financiado (regado até por recursos vindos do exterior, como já revelou o STF).
E funciona também porque afasta as pessoas, interrompe o diálogo (tão necessário para a construção das relações humanas), cancela chances de construção de reflexões reais e joga as pessoas umas contra as outras: parentes contra parentes, colegas contra colegas, vizinhos contra vizinhos e trabalhadores contra seus sindicatos.
E tem requintes de crueldade, seja porque estimula as pessoas a serem negligentes contra a própria segurança sanitária em uma pandemia que já matou mais de 250 mil pessoas no país ou por fazer com que até as vacinas sejam desacreditadas, seja porque faz com que as pessoas apoiem ideias que atentam contra seus próprios direitos (sociais, trabalhistas, humanos).
Num contexto em que direitos estão sendo retirados com velocidade nunca vista, toda tentativa de divisionismo tem potencial capacidade de esfacelar as formas de resistência organizada.
Dentro ou fora da nossa categoria, só com união teremos força para enfrentar essas pessoas que nos desprezam, mas que possuem o poder institucional e político para determinar os rumos de nossa vida (se não fizermos nada para impedi-los).
É claro que há entre nós (pois somos tantos e tantas) diferentes olhares, divergências de interpretações filosóficas, ideológicas, humanísticas (e até outras mais particulares) sobre aspectos da realidade. Mas uma parte da realidade não muda: todos seremos profundamente (e violentamente) afetados se não agirmos em união.
Agora é hora de somar, não de dividir.
É hora de unir, não de separar.
É hora de botar em prática o “ninguém solta a mão de ninguém”, o “estou aqui ao seu lado”, o “pode contar comigo”, o “estamos juntos” e o “vamos juntos”, mesmo que neste momento tenhamos que fazer tudo isso virtualmente.
Fenajufe, sindicatos filiados, servidoras e servidores de diferentes carreiras, aquilo que nos unifica é muito maior do que aquilo que nos diferencia.
Sozinhos, tudo o que teremos pela frente é um gigantesco abismo. Juntos, podemos construir uma verdadeira fortaleza porque nossa força é do tamanho da nossa união.

 

Compartilhe no Facebook e Instagram